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Coin Garten Numismática e história das moedas
Como as moedas são feitas

Por que algumas moedas têm duas cores ou dois metais

Publicado em 2026-11-05 · Verificado em 2026-11-05 · 5 min de leitura · Autoria: Equipe editorial do Coin Garten

Moeda bimetálica de 2 euros, com núcleo e anel de ligas metálicas diferentes, em circulação na zona do euro
Moeda bimetálica de 2 euros — Imagem: TeodS, CC0 — ver crédito completo

Algumas moedas chamam atenção por um detalhe simples: o centro tem uma cor e o anel ao redor tem outra. Esse contraste não é um efeito de pintura nem de revestimento superficial — na maioria dos casos, é o resultado de duas peças de metais diferentes encaixadas mecanicamente antes mesmo de a moeda ser cunhada. Este artigo explica como essas moedas bimetálicas são montadas, por que as casas da moeda adotam essa técnica e como ela se diferencia de outros efeitos visuais parecidos.

O que é uma moeda bimetálica

Uma moeda bimetálica é composta por duas partes de ligas metálicas distintas: um núcleo central e um anel externo que o envolve completamente. As duas peças são fabricadas separadamente, cada uma com sua própria composição, e depois unidas antes de a moeda passar pela cunhagem final. O exemplo mais conhecido no dia a dia de quem já viajou pela Europa é a ficha da moeda bimetálica de 2 euros, com núcleo e anel de cores visivelmente diferentes.

Como as duas partes são unidas

O processo começa com a fabricação de dois flans distintos: um disco menor, que vai formar o núcleo, e um anel, com um furo central do tamanho exato do núcleo. O núcleo é então encaixado dentro do anel sob pressão, em uma etapa anterior à cunhagem propriamente dita. Esse encaixe é puramente mecânico, sem solda ou cola: a própria pressão da cunhagem, aplicada depois que as duas partes já estão montadas, ajuda a travar definitivamente o núcleo dentro do anel, pois o metal de ambas as partes flui ligeiramente durante o impacto dos cunhos, criando uma junção firme. O processo geral de cunhagem, válido também para moedas de metal único, está descrito no artigo como uma moeda é feita, do metal ao produto final.

Essa etapa exige tolerâncias dimensionais muito rígidas: se o núcleo for ligeiramente maior ou menor do que o furo do anel, o encaixe fica solto ou impossível de montar. Por isso, moedas bimetálicas costumam exigir controles de qualidade adicionais em relação às moedas de metal único, com inspeção da medida de cada peça antes da montagem.

Por que usar dois metais na mesma moeda

A combinação de dois metais tem, em geral, três motivações principais. A primeira é visual: o contraste entre as cores ajuda o público a identificar a denominação rapidamente, mesmo a distância ou em pouca luz. A segunda é prática, ligada à segurança contra falsificação: reproduzir corretamente duas ligas diferentes, encaixadas com precisão, é mais complexo do que falsificar uma moeda de metal único, o que torna a peça bimetálica mais difícil de imitar. A terceira é funcional, relacionada à leitura por máquinas: equipamentos de venda automática e caixas eletrônicos usam sensores que identificam a assinatura elétrica de cada metal, e a combinação de dois metais em uma única moeda cria um padrão de leitura próprio, mais difícil de confundir com outras peças.

Moedas bimetálicas de verdade e efeitos que só parecem bimetálicos

Nem toda moeda de duas cores é bimetálica no sentido técnico do termo. Algumas ligas, como o níquel-latão, produzem um tom dourado usando um único metal em toda a peça, sem qualquer junção de núcleo e anel — a ficha sobre a moeda de níquel-latão é um bom exemplo desse caso. Já moedas como as da ficha moeda bimetálica de 1 real (1994–2001) mostram o encaixe real de duas partes com ligas diferentes, com uma linha de divisão visível entre o núcleo e o anel. A diferença entre os metais usados em cada denominação está ligada a critérios discutidos no artigo como as casas da moeda escolhem os metais das moedas de circulação.

Desafios de produção das moedas bimetálicas

Produzir moedas bimetálicas em grande escala exige uma etapa extra na linha de produção, com equipamentos específicos para montar núcleo e anel antes da cunhagem, além de controle rigoroso de medidas em cada lote de flans. Qualquer variação fora da tolerância pode resultar em um encaixe fraco, com risco de separação das duas partes durante o uso. Por isso, esse tipo de moeda costuma ser reservado para denominações de maior circulação ou para peças comemorativas de destaque, e não para toda a linha de moedas de um país.

A moeda bimetálica no dia a dia de diferentes países

A técnica bimetálica se popularizou em vários continentes a partir das últimas décadas do século 20, adotada por países que queriam uma denominação de destaque, geralmente a de maior valor facial entre as moedas de circulação. É o caso de peças como a moeda de 2 euros, usada por vários países que compartilham a mesma moeda, cada um com um desenho nacional próprio em uma das faces, tema tratado no artigo o que é o euro e a face nacional de cada país. No Brasil, a técnica também foi usada logo na introdução da moeda de 1 real, reforçando a identidade visual da nova denominação em um momento de grande mudança monetária.

Tabela: moeda de metal único x moeda bimetálica

CaracterísticaMoeda de metal único (ou liga única)Moeda bimetálica
Número de peças metálicasUma só, cortada de uma tiraDuas: núcleo e anel, montados antes da cunhagem
Efeito visual de duas coresPossível apenas com liga especial (ex.: níquel-latão)Contraste real entre dois metais diferentes
Complexidade de produçãoProcesso padrão de cunhagemEtapa extra de encaixe mecânico antes da cunhagem
Uso típicoMaior parte das denominações de circulaçãoDenominações de maior valor facial ou peças comemorativas

Erros comuns sobre moedas de duas cores

O engano mais frequente é achar que toda moeda de duas cores é bimetálica. Como mostrado acima, algumas ligas de metal único, bem formuladas, também produzem esse efeito visual sem qualquer junção de peças.

Outro equívoco é pensar que o núcleo e o anel são colados ou soldados. Na prática, a união é mecânica, resultado do encaixe sob pressão e do fluxo do metal durante a própria cunhagem, sem uso de adesivos ou processos de soldagem.

Também é comum supor que moedas bimetálicas usam qualquer combinação aleatória de metais. Na realidade, a escolha das duas ligas segue os mesmos critérios técnicos de durabilidade, custo de produção e leitura por máquinas aplicados a qualquer outra moeda de circulação.

Perguntas frequentes

Toda moeda de duas cores é bimetálica?

Não. Algumas moedas usam uma única liga metálica, como o níquel-latão, que já produz um tom dourado sem qualquer junção de peças diferentes.

Como o núcleo e o anel de uma moeda bimetálica são unidos?

Por encaixe mecânico sob pressão, reforçado pelo próprio fluxo do metal durante a cunhagem. Não há cola nem solda entre as duas partes.

Por que usar dois metais em vez de um só?

Principalmente por três motivos: facilitar a identificação visual da denominação, dificultar a falsificação e criar um padrão de leitura próprio para máquinas de pagamento automático.

Fontes